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"porque no fundo, o que todos querem é sofrer por amor"


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Olha, eu sei que o barco tá furado e sei que você também sabe, mas queria te dizer pra não parar de remar, porque te ver remando me dá vontade de não querer parar também.Tá me entendendo? Eu sei que sim. Eu entro nesse barco, é só me pedir. Nem precisa de jeito certo, só dizer e eu vou. Faz tempo que quero ingressar nessa viagem, mas pra isso preciso saber se você vai também. Porque sozinha, não vou. Não tem como remar sozinha, eu ficaria girando em torno de mim mesma. Mas olha, eu só entro nesse barco se você prometer remar também! Eu abandono tudo, história, passado, cicatrizes. Mudo o visual, deixo o cabelo crescer, começo a comer direito, vou todo dia pra academia. Mas você tem que prometer que vai remar também, com vontade! Eu começo a ler sobre política, futebol, ficção científica. Aprendo a pescar, se precisar. Mas você tem que remar também. Eu desisto fácil, você sabe. E talvez essa viagem não dure mais do que alguns minutos, mas eu entro nesse barco, é só me pedir. Perco o medo de dirigir só pra atravessar o mundo pra te ver todo dia. Mas você tem que me prometer que vai remar junto comigo. Mesmo se esse barco estiver furado eu vou, basta me pedir. Mas a gente tem que afundar junto e descobrir que é possível nadar junto. Eu te ensino a nadar, juro! Mas você tem que me prometer que vai tentar, que vai se esforçar, que vai remar enquanto for preciso, enquanto tiver forças! Você tem que me prometer que essa viagem não vai ser a toa, que vale a pena. Que por você vale a pena. Que por nós vale a pena. Remar. Re-amar. Amar.
Caio Fernando Abreu.  
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Eu apenas queria entender o mundo, saber por que as pessoas boas não estão fadadas a se apaixonarem somente por pessoas boas, entender a necessidade de nomearmos as coisas, de darmos sentido onde não há o que se entender, acreditar ou duvidar. Eu queria finalmente saber o motivo pelo qual a tristeza nos consola tanto a ponto de nos interessarmos apenas pelas notícias ruins, descobrir por que mesmo sendo tão jovens nós continuamos a pensar como se já tivéssemos vivido de tudo. O que você queria? Você tinha alguma dessas aflições, destas perguntas que incitam a curiosidade humana pelas respostas? O que você quer? Eu quero uma certeza, uma equação geométrica tão sólida quanto à de Euclides para que permaneça irrefutável mesmo daqui a três mil anos; eu quero palavras (já que somos feito delas – e delas, fazemos), escritas, que me definam, que te definam e que deixem ávidos os críticos; quero ter alguém para compartilhar tudo até o momento exato de abandoná-lo e quero ser informado por compartilhadores que logo me abandonarão; eu quero ser complexo mesmo diante de toda minha humildade, humanidade ou idade; quero compreender por que o perdão anda tão perdido e a culpa tão entranhada dentro de nossos âmagos; quero ver uma vida depender de mim (algo do tipo: “ele é tão bonito” “puxou ao pai”); sabe, quando se nota o quanto já desperdiçamos de tempo e emoções, já não se pode mais voltar atrás e reciclar todo o passado do mesmo modo como deveríamos fazer com nosso lixo que só faz apodrecer solos, podemos manter o olhar no horizonte como se olhássemos para a reta perpendicular imaginária normal da física (e, em teoria, estamos) vislumbrando nosso futuro tão promissor: de pessoas sorridentes, amadas, poderosas e, semanticamente, belas; está tudo lá, escondido no horizonte. Podemos caminhar em busca deste almejado destino, mas não conseguimos nos livrar de cargas pesadas demais para corpos tão pequenos. Frágeis. Eu vivo num mundo que desculpas não bastam, mesmo que verdadeiras, num mundo em que lágrimas, por mais sinceras que sejam, são supérfluas; eu olho pra ti, súplice, em pranto, e fecho os olhos apenas tentando entender, porque é isso que eu faço o tempo inteiro, eu tento entender: tu, o mundo, a mim mesmo; eu penso demais, e este é o problema; eu, às vezes, deixo de viver para pensar nas consequências de tal ato (já pensei no suicídio, genocídio e outras derivações sufixais como forma de evitar a superpopulação global). O que me falta – e só agora enxergo no meu horizonte – é imprudência, é arriscar no incerto, é penetrar no caos de silêncios abruptamente encerrados por gritos de socorro, é me viciar em quatro tipos diferentes de drogas, é desrespeitar o próximo com toda a fúria que eu tento conter, é quebrar objetos quando já não se pode mais quebrar faces. E eu tenho tudo isso dentro de mim, implodido, guardado, esperando a hora certa de uma explosão. Uma ogiva excitante que quando sua fumaça aparece no pôr do sol teima em desenhar nas nuvens: sou eu, só eu.
Júnior Cunha. 
Quando eu morrer, diga à criança que virei estrela. Diga pra inocência que fui pro céu brincar com Deus, e que ela não saiba jamais que, até o último suspiro que me restou (naquela noite que virá), tive amigos imaginários, muito mais imaginados do que amigos. Enquanto ela chorar doce e profundamente, diga à criança que esse mundo não me cabia, e deixe-a guardar os brinquedos no baú para economizar espaço. Economia é a doença do século, e não a depressão. Quando ela perguntar por mim, diga à criança que fui viajar. Deixe-a que percorra com os olhos lacrimejantes todas as terras, permita que ela construa o paraíso na América Latina, no nordeste da África Negra, no tanque do petróleo, no aquário de carpas do Japão. Deixe que ela olhe para o espaço azul, sendo eu a nuvens mais gorda e com cheiro de chuva, mas não permita nunca que ela interrompa a viagem. Não deixe, em hipótese alguma, que papai noel não me traga de volta no próximo Natal. Enfie aquela carta no correio, endereçada ao Polo Norte, e os sonhos me trarão de volta. Mas não se esqueça de comer todos os biscoitos e beber todo o leite antes que ela acorde.
Quando eu morrer, diga aos velhos que fui feliz. Engome aquelas testas enrugadas e fedidas de quem “carniceia” com os olhos e esqueceu de escovar os cílios prestes a enfartarem de tanta porcaria. Diga aos velhos que fui em paz, para que enterrem o caixão em silêncio, para que consolem os ombros em profunda gratidão, para que não escorra da boca o chorume, para que as unhas compridas do monstro, ao saírem da língua apodrecida, não perfurem os véus de viúva negra onde todo mundo esconde o tédio. Diga aos velhos que fui porque simplesmente tive que ir, e poupe as auto-ajudas e os conselhos melodramáticos. Faça-os senhores de si, donos do conhecimento mortuário do mundo inteiro, faça-os escreverem discursos e inaugurarem o pretinho básico, para que eu não fuja do padrão. Economize também o trabalho do coveiro. Não é fácil segurar o riso em situações solenes. Pelo menos eu nunca consegui me manter hipócrita num enterro desconhecido. Triste vergonha. Questão de falta de falta de falta de falta de falta de falta de educação. Morri tão jovem, merecia tanto respeito, tanta admiração… Ai de mim.
Quando eu morrer, diga ao meu corpo raso que ele já foi dessa pra melhor. Deixe que eu durma, que eu tire folga e que eu me demita, que o meu câncer seja uma mancha no ultrassom e que meu suicídio literário (e tenho que dizer que é literário, caso contrário, eu seria Getúlio Vargas) tenha sido completamente em vão. Diga ao meu corpo que gastei minha bala à toa, mas em dois ou três meses, quem sabe eu estivesse vivo ainda. Não custa nada colocar uma gota de leite na boca de um bebê nigeriano. Diga ao meu corpo gélido, que não há cadáver mais vivo, e diga aos presentes tristes, que não houve vida mais morta, para que eu perca satisfeito o gosto de viver. Escreva na minha lápide que o jogo acabou. E eu venci.
Vamos passar de fase e zerar a vida, porque ainda não sei abandonar o que comecei. E a destruição é um vício que eu ainda não consegui finalizar.
Cinzentos.
Olha só pra você, ai, perdido, como se já não esperasse mais nada, como se já tivesse matado leões com as próprias mãos, e achado melhor descansar, pela sorte de estar vivo. Não há sorte em estar vivo, você faz a sua sorte, mesmo que custe sua vida. Você é bom, quem te disse o contrário disso? Você pensa que eu não sei o que é pensar que está sempre fracassando? Eu sei, eu sinto isso. Eu erro igual qualquer outro que tenha a chance. Você não precisa da minha ajuda, ou do conforto das palavras que eu posso te oferecer. Apenas, acredite mais, talvez você não saiba, mas é possível derrubar montanhas usando os punhos, tocar as nuvens e ignorar toda essa dúzia de lógicas baratas que enchem livros e fazem as bibliotecas bocejar. Não estou aqui para dizer que é fácil, só quis te lembrar que ainda há tempo de ser imbatível - diferente do que dizem, essa geração não está perdida, apenas esquecida de que há caminhos não explorados. Não deixem as lendas do passado falarem alto que são insuperáveis. Porque jamais serão ao menos que você os deixe ser.
Sean Wilhelm.
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Transforme o sapato em um barco, ponha-o na água com a sua foto dentro. Não arrume a casa na segunda-feira. Não sofra com o fim do domingo. Alterne a respiração com um beijo. Volte tarde. Dispense o casaco para se gripar. Solte palavrão para valorizar depois cada palavra de afeto. Complique o que é muito simples. Conte uma piada sem rir antes. Não chore para chantagear. Cometa bobagens. Ninguém lembra do que foi normal. Que as suas lembranças não sejam o que ficou por dizer. É preferível a coragem da mentira à covardia da verdade.
Fabricio Carpinejar. 
Você é o amor da minha vida. E, talvez, exatamente por isso, eu não consigo desistir de você. Apesar dos teus erros, defeitos, medos. Apesar da tua maneira complicada de ser, da tua arrogância, do teu ego inflado. Apesar da tua mania de complicar o fácil, desistir do difícil, abrir mão de nós dois por qualquer felicidade momentânea barata. Apesar de tudo, você ainda continua sendo o amor da minha vida. E nem sequer as tuas dúvidas ou a tua muralha de defesa constante me impede de sentir um amor absurdo por você. Mesmo que a gente não concorde em nada e brigue por tudo. Mesmo que o nosso plural, vez ou outra, teime em ser apenas singular. Mesmo que o nosso quebra cabeças seja montado ao avesso. Mesmo assim, é o teu nome que o meu corpo grita nos momentos de solidão. É nos teus braços quentes que a minha crosta gelada se derrete. É em você que eu encontro tudo o que não quero, mas tudo que preciso. A tua insanidade completa o meu lado mais santo. O meu medo encontra forças na tua parte mais corajosa. Teu humor ácido ensina o meu mau humor constante a achar graça na vida. E a vida se colore quando tem os seus lápis de cor de mil e uma tonalidades diferentes pra me ajudar a pintá-la. É quando você tem paciência pra pintar todo esse meu mundo preto e branco, detalhe por detalhe, que eu vejo a minha hipótese ganhar certeza absoluta: você é o amor da minha vida.
Capitule  
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