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"quanta gente vestida de coração nu."


O ataque é esse, te acertam em cheio e em seguida você sente aquela pressão no peito até sangrar. E um enorme bloco de concreto despenca do céu em direção ao seu cérebro, os pensamentos ficam espalhados no acostamento e os sentimentos escapam em meio à poeira da derrapagem. Você fica lá estirado no asfalto, todo torto, arrebentado, até que uma boa alma ofereça uma mãozinha pra se levantar, e mesmo em estado de choque você chora, chora de raiva, de saudade, de desespero, de culpa por ter acreditado tanto e ter permanecido no alvo, mesmo sabendo do perigo.
Elisa Bartlett  
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Eu não sei o que você já enfrentou nessa vida. Não sei quantas vezes você se encontrou caído no chão, sozinho, sem ninguém pra te ajudar a levantar. Não sei quantos tropeços te deram. Não sei das tuas dores e cicatrizes. E você não precisa me contar se não quiser. Eu entendo. Talvez não sinta exatamente o mesmo, porque isso seria impossível, mas juro que entendo. Eu olho pra você e me vejo. Seus olhos cansados se parecem tanto com os meus. Sua boca, que pronuncia as palavras tão calmas, lembra a minha. E eu sei que atrás do teu sorriso se enconde vários não-sorrisos, assim como o meu. Eu sei que na tua brincadeira se esconde uma vontade de chorar baixinho, calado, sem plateia alguma que possa te julgar. Eu sei também que no seu “não foi nada”, existem vários “tudos” que ninguém nunca para pra escutar. Acredite, eu sei como é. Sei como é você gritar calado por um pedido de socorro e todos te olharem e simplesmente passarem reto. Mas, olha, eu queria te dizer que eu não vou ser mais uma dessas. Sei que talvez, agora, você não acredite. Eu também não acreditaria, mas vou te provar que vai ser diferente. Não vou te abandonar na primeira dificuldade. Não vou te julgar ou te deixar pra trás. Eu já estive no seu lugar e, vez ou outra, me deparo voltando para o mesmo. E ninguém nunca foi capaz de me escutar mais do que cinco minutos e dizer tudo isso que eu estou te dizendo agora. Ninguém nunca foi por mim o que eu estou sendo por você. Isso não é uma troca de favores. Estou aqui porque o meu coração quer estar. Então vem, segura a minha mão. Agora aperta e não solta. Estamos juntos nessa.
Capitule.
Minha filha, não se envolva com amigo. Mais difícil do que iniciar o romance é terminá-lo. Não há como encerrar sem trauma, sem ressentimento, sem a crueldade da palavra exata. Ficará com medo de perder a amizade, e perderá. Não terá coragem de ser sincera como antes, e queimará o céu da boca. Não se envolva com amigo. O antigo confidente terminará sendo seu segredo, e agora, para quem contar? Acabará o amor, mas não a amizade. Ele não dará nenhum motivo para o fim da relação. Não vai traí-la. Não vai provocar ciúme. Não vai cometer indelicadezas e grosserias. O homem certo é o errado. O homem ideal é imprestável. Ele não ajudará na despedida, fugirá das discussões de relacionamento. Como chegar e falar: “A brincadeira acabou, vamos retornar ao que era antes?” Não há como regressar, a amizade não é líquida como o amor. Não é gelo que volta a ser água que volta a ser chuva que volta a ser rio. Amigo não gera nem raiva, mas pena. Não exala a sensualidade da teimosia, o suor maravilhoso da discordância. Bancará a ruptura sozinha. Ele não facilitará o testamento. Será a ogra, a monstra, a interesseira. Ele dirá: “Mas nada aconteceu, por quê? O que eu fiz?” Nada aconteceu, ele não fez nada, o fim é exatamente a monotonia do bem. O amigo é a segurança, o conforto, o pique, a trégua do pega-pega. O amigo é a previsibilidade da justiça. E o amor, minha filha, é injusto.
Fabrício Carpinejar. 
vamos fingir que não existimos e invisíveis, nos amar de qualquer jeito. vamos fingir que somos folhas em branco e sem texto marcado, seremos trilhões de poesias de boteco. vamos fingir que não temos coração e que sem o pulsar ritmado, bombearemos nosso sangue pulando sem parar por horas. vamos fingir, inicialmente, que só nos cabe sentir. e depois dos risos e porres e transas e pausas poéticas e amores e pulos pela cidade. nós dois, cansados do fingimento, sentiremos uma felicidade real que acabará todos os dias. vamos fingir que temos medo de dormir e covardes, acordaremos todas as manhãs prontos pra fingir a vida de novo porque ser de mentira é o orgasmo do universo. se tudo aí é falso, finge pra ser real. vamos fingir que é tesão porque o resto… ah, é besteira.
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Foi um passarinho que me contou que não vale a pena desistir dos sonhos, nem esconder sentimentos. Que não é bom voar sozinho, e que todo mundo quer formar um ninho.
E eu, concordo com o passarinho.  
Boas são aquelas relações em que, 5 minutos depois da briga, um volta correndo porque viu algo engraçado e queria compartilhar e sabe que só tem graça se for com o outro. Sabe? Quando seu orgulho e irritação não conseguem ser maiores do que a vontade de estar com a pessoa. São essas que valem a pena.
Vinícius Kretek. 
Acho que esqueci de me importar comigo. De sentir saudades de mim, de chorar por mim, de correr atrás de mim, de ter ciumes de mim mesma. Acho que esqueci de me preocupar com quem eu estou falando, com quem estou andando, com as mensagens que recebo. Deixei de dar atenção para onde vou, com quem vou, que horas vou voltar. Parei de me preocupar com o que fiz no dia, de saber se meu dia foi bom, de ter noção se me alimentei direito. Abandonei minha vaidade, descuidei da minha personalidade, aos pouquinhos estou deixando de ser eu. Estou me perdendo, me abandonando, me esquecendo. Não tenho mais ciumes de mim, não respeito mais o meu corpo. Bebo sem medo de passar mal, confio em estranhos para contar minha vida, me maquio tentando esconder minhas fraquezas, deixando apenas o meu forte a mostra para os desconhecidos. Deixei de dar valor as tardes de domingos com a família, passei a frequentar lugares escuros, com música alta e luzes piscando. Me perdi, tentando me encontrar em alguém que eu não sou. Esqueci como me pedir de volta.
Isabella Martin. 
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